Informativo Técnico Nº. 308

 

 ÚLCERA   GÁSTRICA

Apesar  da ocorrência da Úlcera Gástrica, em suínos ser  bastante comum  nas  criações intensivas/confinadas, suas causas  não  são ainda  totalmente  conhecidas,  detectamos  à  nível de   campo,   com observações em centenas de granjas, nos últimos 20 anos, que a ocorrência em uma mesma granja  desaparece  por algum tempo,  voltando  repentinamente  e acometendo animais de diversas idades. E temos observado a ocorrência da UG, em diversas granjas na mesma época do ano, em regiões bem isoladas uma das outras, usando os mais diferentes ingredientes nas suas rações, diferentes níveis nutricionais, e os mais variados fornecedores de premixes e ou núcleos.

Sabemos  que  por falta de um melhor acompanhamento  técnico  nas granjas,  algumas ocorrências de UG, em animais com  ou  sem  os sintomas clínicos, e às vezes  com morte súbita, acaba por passar despercebido na maioria dos casos. Apesar do diagnostico não  ser muito  simples,  deveríamos realizar com mais  freqüência  exames anatomopatológicos, não só a nível de granja, como acompanhar  periodicamente os abates de suínos, das granjas estudadas, e proceder a devida necropsia.

 
Causas predisponentes à ocorrência de Ulcera Gástrica.  UG..

 
A  erosão ulcerativa, tem sido notada nos mais diferentes  locais do  estômago dos suínos, mas principalmente na região  esofágica, em  pelo menos 65% dos casos, podendo ainda ocorrer nas  regiões: fundica  e  pilorica; e observamos a UG em animais  de  todas  as idades,  com maior incidência entre 4 e 8 meses, mas  em  algumas granjas  só observamos a ocorrência em matrizes e normalmente  em fêmeas  de 1°  para o 2°  parto; com idade média entre 330   a  470 dias.  E mais raramente em reprodutores e matrizes com mais de  5 partos.

 
Sintomas:

 
Na  forma  hiperaguda,  geralmente  em  animais  de  bom   estado nutricional  são encontrados  mortos, devido  a  uma  hemorragia interna   grave  no  estômago, ocorre  com mais  freqüência,  na seguinte   ordem:    em  fêmeas no terço final de  gestação, em alguns casos em fêmeas  lactantes, normalmente no início da lactação, ou ainda em fêmeas   recém desmamadas; ou em cevados entre 30 a 50 KG.

Na  forma aguda, os sintomas são: taquipneia, perda  de  apetite, palidez das mucosas animais apáticos e com a temperatura corporal abaixo do normal, fezes preta; e esporadicamente uma tosse seca, podemos observar ainda em alguns animais, na fase inicial da úlcera gástrica  a ocorrência de diarréias.

                                                                               

Na  forma  subaguda,  que em algum tempo também  poderá  levar  a morte,  a  evolução da sintomatologia  pode  durar  semanas,  os animais   afetados  permanecem  deitados, apresentam   anorexia, mucosas  e  pele  pálida, pêlos opacos e quebradiços, diminuição no  ganho  de  peso,  fezes ressecadas ( cagando em pelotinhas ) fezes encabritadas. E em boa  parte dos animais afetados podemos constatar a ocorrência de vômitos logo após ou durante a alimentação.

Na  forma  crônica,  normalmente não  observamos  nenhum  sintoma característico, apenas perda de peso ate a morte, e quase  sempre só  identificamos  o  problema nos abatedouros, ao  se  proceder exames das vísceras dos animais abatidos, devemos estarmos atentos pois nas fases subaguda e crônica; podemos observar  hemorragias recidivantes deixando as fezes  diarreicas e  quase sempre com uma coloração escura, ou estrias vermelho-escura, tipo massa de tomate misturada às fezes.

           

                      A  prevalência da UG é multifatorial e podemos  enumerar  algumas causas:

Fêmeas  (matrizes)  mantidas  em baias onde a cama  do  piso  das   mesmas e de casca de arroz, e que eventualmente poderá estar contaminada com restos de defensivos usados no tratamento do arroz para evitar infestações de carunchos e ou traças dos cereais.

Fêmeas  mantidas  em gaiolas de gestação, com  baixo  consumo  de água,  rações com baixo nível de fibra; períodos entre os  tratos (arraçoamentos)  muito longos, ex.: fêmeas alimentadas às 7  horas da  manhã, no primeiro trato do dia, e o segundo trato no fim  da tarde  por  volta de 17 horas, ficando a matriz por volta  de  10 horas sem se alimentar. 

 

Momento do trato (arraçoamento) muito demorado entre  o inicio  e  o fim,  devemos considerar que os fatores  acima  são predisponentes, e tem como causa um stress exagerado,  provocando um aumento da produção de pepsina e de ácido clorídrico, liberado no estômago provocando séria irritação na mucosa gástrica.

 

Animais alimentados com ração seca, e com baixo nível de fibra, que dependendo do volume, da disponibilidade de água, poderá ser altamente predisponente  ao aparecimento das Úlceras Gástricas.

                                        

Restos  de ração (azeda/fermentada) nos cochos, o consumo  destas rações também poderá provocar processos ulcerativos, bem como uso de ingredientes mofados, principalmente farelo de trigo.

A inclusão de medicamentos (promotores de crescimento/antibióticos) que são antagônicos, quando por não se conhecer o que contém no  Premix/Núcleo ou nos Concentrados, que são utilizados na granja, acabamos por utilizar outros medicamentos que são incompatíveis. 

Rações  com granulometria muito fina, milho  extremamente  moído, também é um fator agravante.

Sujeira, umidade, lotação, sol na baia, cochos mal dimensionados, bebedouros  insuficiente, água  quente;  são  fatores  altamente stressantes e predisponentes ao aparecimento da Úlcera Gástrica.

Tratamento:

Aparecendo um ou mais sintomas acima descritos, recomendamos imediatamente o tratamento com medicamentos, para tanto consulte o  veterinário que lhe presta assistência técnica. Existe atualmente no mercado medicamentos específicos para o controle eficaz  das ocorrências da Úlcera Gástrica em suínos.  

O controle dos fatores stressantes, associado a uma ração com uma granulometria maior,  com maior nível de fibra, e em alguns casos o   uso   de  verde   (capim  verde  picado) ou ainda a utilização de Confrei, folhas verdes picadas, mais ou menos 200 a 300 gramas por   dia, para cada matriz ou reprodutor do plantel     tem   solucionado definitivamente as ocorrências de UG.

 


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