12/06/2003 -E.T. Irati PR.

Solicito Informações sobre Doença de Aujeszky

E uma doença infecto-contagiosa, que pode atacar diversas espécies animais e se caracteriza por perturbações  nervosas, acompanhadas de prurido intenso. E conhecida ainda como: peste de coçar, pseudo-raiva, paralisia bulbar infecciosa.

Foi registrada pela primeira vez por AUJESZKY, na Hungria em 1.902, em bovinos e depois em cães, gatos e suínos. Em Portugal foi diagnosticada em 1924; Foi assinalada no Brasil em 1.912 por CARINI E MACIEL; e em 1934 foi confirmada; e ainda no Brasil, tivemos um outro surto constatado por BAUER em 1.953 no Rio Grande do Sul, no Município de Guaporé; por volta de 1980 a suinocultura paulista foi duramente afetada pela doença.  Em 1.967 VITOR CARNEIRO assinalava que o Brasil Central, mais os estados de São Paulo e Paraná, concentrava os maiores focos conhecidos da doença de AUJESZKY em todo o mundo. Em 1.994 tivemos a ultima notificação no norte do estado de Goiás precisamente no município de Porangatu; e as ultimas ocorrências foram em Santa Catarina e Rio Grande do Sul ( anos 2002/2003 respectivamente ).

O homem é muito resistente ao vírus, havendo porém casos raros de infecção laboratorial. A infecção natural não é assinalada no homem. Há registro de TRUNCMAN em 1.936, em Istambul, que dois auxiliares de laboratório que se infectaram quando lavavam placas de PETRI contaminadas. Apresentaram prurido característico, dor de cabeça, cansaço, febre e prostração. Sua evolução é benigna e a cura é completa e espontânea dentro de 3 a 4 dias no máximo.

A Doença de Aujeszky, é uma virose que afeta os suínos provocando, transtornos nervosos e respiratórios, causando altos índices de mortalidade, em leitões, principalmente no inicio da ocorrência do problema em uma  granja.

Observamos alta mortalidade entre leitões recém nascidos, abortos, repetições de cio, e crescimento deprimido nas fases de recria e terminação.

Etiologia. O agente etiológico e o Herpes vírus suis, envelopado, que possui o acido desoxirribonucléico (DNA) na sua composição. Devido sua estabilidade em relação ao pH, e  a diferentes temperaturas, o vírus da Doença de Aujeszky DA e muito resistente no ambiente.

Baixas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, presença de colóides, presença de tecidos e soluções protéicas, são fatores favoráveis `a sobrevivência do vírus. Os fatores desfavoráveis, são: temperatura e umidade relativa do ar altas, radiações ultra-violeta, pH acido, presença de enzimas proteolíticas. O vírus da DA e altamente sensível ao éter, e ao clorofórmio. A formalina a 3% o inativa em 3 horas a cloramina a 3% em 10 minutos. O vírus da DA não tem variação antigênica, existindo entretanto, cepas com diferentes gruas de patogenicidade e tropismo, por diferentes tecidos dos suínos, especialmente dos sistemas respiratório, e nervoso.

Os suínos podem ser considerados um reservatório natural do vírus, pois encontramos animais portadores e sadios.

Ruminantes, felinos e caninos e roedores atuam como hospedeiros finais da cadeia epidemiológica, uma vez que a ocorrência tem efeito mortal.

Eqüinos e aves são muito pouco sensíveis a infecção, e o homem e refratário.

Na suinocultura os índices de morbidade e mortalidade dependem da idade, e status sanitário e nível de resistência encontrado no momento da contaminação, se bem que entre  os animais mais jovens  estão as mais altas taxas. Em leitões de 5 a 12 dias poderá chegar a 90 a 95% respectivamente, enquanto que em animais de 20 a 40 dias as taxas encontram-se entre 30 e 40%.

Em relação a difusão  da infecção, devemos considerar os seguintes aspectos:

          1 ) a única espécie com importância na difusão do vírus e       a suína.

   2   ) existe a possibilidade da infecção pelo sêmen, quando a sua contaminação ocorrer no processo de coleta e diluição.

   3  ) o vírus esta presente nas secreções nasais e saliva dos animais doentes, a partir de 10 dias após a infecção, Matrizes que abortam devido a DA eliminam o agente através da secreção vaginal. Urina, fezes,  tem pouca importância como vias de eliminação.

        4   ) em granjas pequenas com menos de 100 matrizes, com um plantel médio de 1000 animais, a DA torna-se auto-limitante e ao animais podem se tornar portadores assintomáticos. Em granjas maiores, como o desafio e maior, a tendência e pela perpetuação da DA na forma endêmica,  sendo que a presença de animais suscetíveis nas diferentes instalações da granja, faz com que periodicamente, surjam animais com sintomas da DA.

        5   ) em função da facilidade na transmissão do vírus por meio do ar, ( correntes de vento ); em áreas com alta densidade de granjas, há dificuldade de impedir a propagação da enfermidade.

 

Difusão:

A DA pode ocorrer por contato direto com animais doentes e ou portadores, ( narina / narina ) ou pelo ar. Nos reprodutores ocorre a infecção genito / nasal, ( durante a estimulação da matriz ). No período de gestação, o vírus pode se difundir por via transplacentária. Durante a lactação pode ser veiculado da porca para os leitões através do leite.

A infecção por contato indireto pode ocorrer através da água, ração, restos de matadouro, caminhões de transporte, roupa e botas da granja. Ou contato com qualquer material contaminado.

O vírus da DA penetra no organismo principalmente, por via respiratória, e ocasionalmente por via digestiva ou sexual.

Após alojar-se no organismo, multiplica-se no trato respiratório, superior, para então invadir as células olfativas, daí migrando para o sistema nervoso central. Uma vez ahi localizado se propaga centrifugamente.

O vírus da DA pode permanecer no organismo de animais  convalecentes, na forma de infecção latente, sem apresentação de sintomas.

A infecção uterina poderá intervir em todos os estágios de desenvolvimento embrionário e fetal.

 

Sintomas:

O  contado do vírus da DA em uma suinocultura livre, caracteriza-se por alta mortalidade na maternidade, abortos, e uma percentagem variável de animais com sintomas nervosos e respiratórios, na creche, recria, terminação e gestação. Esta fase inicial dura por volta de duas a três semanas, com uma diminuição progressiva da gravidade dos sintomas após este período.

Sintomas Concomitantes.

Nos leitões de 1 a 5 dias de idade: Hipertermia, inapetência, depressão, pelos eriçados, salivação espumosa, e morte de ate 90% destes animais em no máximo  5 dias.

Nos leitões entre 5 e 10 dias: Os sintomas acima, acompanhados de uma sintomatologia nervosa progressiva, com incordenaçao do quarto posterior, tremores musculares, decúbito lateral, convulsões  clônicas e morte.

Nos leitões entre 10 e 30 dias: os mesmos acima, sendo os sintomas nervosos, mais graves, e são mais dominantes, e ainda observamos, incordenação motora severa, movimentos de pedalagem, excitação, ranger de dentes e opistótono, podendo ocorrer ainda dispnéia, com movimentos abdominais acelerados.

Animais na fase de recria, terminação e animais de reposição, os sintomas nervosos graves, se tornão menos comuns, quanto maior a idade dentro desta fase. Observa-se hipertermia, anorexia, durante 3 a 4 dias, abatimento, constipação, e eventualmente algum comprometimento respiratório.

Nos reprodutores, observamos hipertermia, anorexia, depressão, insuficiência respiratória, infertilidade, e raramente problemas no SNC.

Nas matrizes em lactação, observamos comumente, febre entre 40,5 e 41ºC por 12 a 48 horas seguidas, constipação, anorexia, agalaxia,  transtornos puerperais, Em alguns casos presenciamos sintomas nervosos, como: incordenação leve, ou mesmo paraplegia do trem posterior.

Nas matrizes em gestação, observamos hipertermia, anorexia, movimentos de falsa mastigação, salivação abundante, problemas reprodutivos como: reabsorção fetal, retornos de cio, mumificação, abortos, natimortos, malformações, nascimento de leitões fracos e infertilidade.

Nos suínos a ocorrência de prurido é muito rara ( diferente do que ocorre em ruminantes ).

Ao suspeitar do problema de DA, chame imediatamente um veterinário, para devida coleta de material e envio a laboratório.

Não existe tratamento específico para DA. A medida mais acertada seria o abate de todos os animais, e manter a granja fechada ( totalmente vazia ), por pelo menos 6  meses, promovendo limpeza, higiene e desinfecções semanais, de acordo com um programa elaborado pelo seu assistente técnico.


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